domingo, 24 de fevereiro de 2008

Saudades...


Alguns dias já se foram desde minha última postagem...estou com uma saudade do meu blog!!!! hehheeh. A roda viva está muito, muito, muito viva! (grande Chico) E eu tô na roda. Tenho tanta coisa que escrever, tantos pequenos-grandes momentos por compartilhar, mas preciso de tempo e "hoje não dá...vou consertar a minha asa quebrada e descansar!" (grande Renato).
Acho que uma "UMA PERGUNTA" de Clarice é bem interessante nesse momento, então vou colocá-la na enquete só para não perder o costume. Votem tá!

Abraço grande, um ótimo domingo e uma ótima semana,

Sheila.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Gotinha


Deixo para vocês este belo texto de Jefferson Tadeu (roubei do blog dele). Abraço, Sheila.
Gotinha
Quando eu olhava para uma pessoa idosa, com os seus cabelos já brancos, nunca imaginava que houvesse muitos conflitos perpassando a sua alma. Talvez porque a cor de neve da sua cabeça me fizesse, inconscientemente, relacioná-la à serenidade, à paz de espírito. Quanta ingenuidade!Há alguns meses estive em João Pessoa (a cidade onde desejo morar) por ocasião de um congresso de filosofia. Durante dois dias, hospedei-me na casa da madrinha de um grande amigo. Na manhã em que deveria ir embora, após o café, levantei-me da mesa e fui à cozinha, lavar, como de costume, os pratos e talheres de que me utilizei enquanto comia. Naquela instante, apresentou-se na cozinha, para entabular conversa comigo, a senhora, tia da madrinha do meu amigo. Ela tinha mais de 90 anos de idade.A primeira coisa que a senhora me disse foi: “Onde tem mulher, homem não trabalha na cozinha. Deixe esses pratos, meu filho”. Ao que, sorrindo, respondi-lhe: “Não se preocupe. É rapidinho e não me custa nada!”. Ela me retribuiu o sorriso e me ofertou também um segredo, ou melhor, uma queixa que, certamente, havia muito estava latente: “O filho da minha sobrinha nunca tira um prato da mesa”.O que mais me impressionou na fala da senhora foi a sua expressão facial. Seu olhar inicial, ao se aproximar de mim, era de pura gentileza e cortesia, embora também fosse de resignação. Após o nosso breve diálogo, no entanto, modificara-se: eu me entristeci ao perceber dois olhos ainda mais resignados com a ordem do mundo, a despeito, é verdade, de haver uma gota de indignação no seu olhar, mas uma indignação que parecia se envergonhar por existir. Uma gota de indignação, todavia, foi suficiente para que eu percebesse que a cabecinha branca daquela senhora era um verdadeiro campo de batalha. Afinal, não pode haver paz para as(os) vencidas(os).Ao refletir sobre a cena, veio-me ao meu espírito uma gota de esperança, pois para que uma tempestade aconteça sempre há de cair uma primeira gota. E, para quem quer agir, não importa o tempo já percorrido ou que ainda terá de trilhar, porque o que está à mão é sempre o presente, que nada é senão uma gotinha.

Joana Maranhão e o silêncio dos/as adultos/as


O título do post bem que poderia ser apenas o Silêncio das Crianças, mas para mostrar bem o quanto a nossa sociedade é hipócrita, enfatizei o silêncio das crianças que cresceram e que se sentiram confortáveis nessa lógica adultocêntrica, passiva (não pacífica) e silenciosa em que vivemos. Joana é uma jovem nadadora de 20 anos que, numa atitude de muita coragem, expôs seus traumas mais profundos para uma sociedade muito, mas muito POUCO preparada, para encarar suas mazelas de frente. Frases terríveis podiam (ainda podem) ser vistas desde a semana passada nos comentários das matérias do JC (jornal que li) sobre o assunto. Homens, provavelmente também abusadores, dizendo que a moça só estava querendo se promover, que tinha intenções de prejudicar o náutico (clube em que aconteciam os abusos), que estava inventando o fato, dado que já se passaram alguns anos e por aí vai...sempre assim...

Joana se tratou, teve apoio, acompanhamento, pôde conversar com pessoas de confiança, se tornou uma grande nadadora e isso lhe conferiu uma auta-estima e segurança que lhe permitiu falar, denunciar, avisar: "cuidem de suas crianças!"Ela tentou falar para a mãe na época, mas a mãe não achou que fosse possível, confiava no então treinador, tentou "tapar o sol com a peneira", achou que era muito criança (9 anos) e talvez estivesse confusa. O tempo passou...e ele sempre passa! Se passa bem? Só quem viveu na pele é quem sabe. Joana teve problemas para exercitar sua paixão - a natação, teve problemas de relacionamentos, chorava com certa frequência, teve dificuldades nos relacionamentos afetivos-sexuais, mas não preciso mais ficar falando em Joana. Ela já fez muito!
"Estatísticas afirmam que, nos últimos anos, o número de crianças e adolescentes que sofrem ou sofreram abuso sexual é cada vez maior, no Brasil. Porém, apenas uma minoria denuncia o fato e, um dos motivos disso, é o trauma psicológico acarretado, porque na maioria das vezes a criança é vítima de incesto; ou seja, mantém algum grau de parentesco com o agressor, quando ele não é o próprio pai ou padrasto. Nesses casos, existe ainda o medo de que a denúncia resulte em de retaliações.
A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que apenas 2% dos casos de abuso sexual contra crianças, nos casos em que o agressor é parente próximo, chegam a ser denunciados à polícia. Estudo do Unicef revela que, de 2000 até 2005, foram contabilizados 437 casos fatais de violência no lar, causado por agressões físicas. A pesquisa da Abrapia, também analisada no estudo do Unicef, aponta que parentes são responsáveis, em média, por 34,4% dos casos. Quando se trata de abuso sexual, os dados impressionam pela tenra idade das vítimas: 49% das crianças que sofrem esse tipo de violência dentro de suas casas têm entre dois e cinco anos."
Dados obtidos a partir do boletim CRESS SP.

Tão importante quando denunciar o abuso é denunciar quem abusa.
Se desejarem mais informações a respeito, eis alguns sites interessantes:



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Você tem fome de quê?


Estava eu, em pleno sábado, pensando em fazer algo diferente. Os planos haviam sido mudados, iríamos almoçar em casa...que fazer? Bem, lembrei-me das berinjelas que compramos pensando em fazê-las à parmegiana. Minha mãe disse que eu já havia feito algum dia, mas eu não lembrei e ainda não lembro quando. Bem, estava decidida a fazê-la. Entrei no Google, peguei a receita: mãos à obra. Cozinhar não é meu forte, então, claro, demorou...demorou...mas, valeu a pena. Calma, não, não...definitivamente não estou “puxando a sardinha” para meu lado, hehehe! É que é um prazer enorme saborear um alimento saudável, e proveniente de uma proposta social tão saudável quanto. As berinjelas, assim como as acerolas com as quais fizemos suco, a alface e o tomate-cereja da salada, o coentro e o manjericão do tempero, tudo orgânico! Para sobremesa: mamão, banana ou manga, tudo orgânico! Os ovos utilizados na receita: de galinha de capoeira (ou seja, não confinada, sem intervenção de hormônios). Parece coisa de outro mundo o que estou falando? O problema é que não é. Faz pouco tempo, tomei conhecimento de uma iniciativa de produção de alimentos orgânicos e de base agroecológica/agroflorestal próxima à minha casa, ou seja, agricultura urbana. Desde então venho tentando consumir os produtos de lá, tiram tudo na hora... mas, sem essa alternativa, o que me restava? Restava-me o supermercado e a feirinha da V. que, embora seja bem bonitinha e cheia de frutas e verduras aparentemente interessantes, muito, mas muito provavelmente mesmo, são provenientes de uma produção convencional (made in CEASA), baseada na utilização de agrotóxicos e outros insumos químicos dos quais não tenho a menor idéia. Bem, nesse exato momento me ocorreu um outro problema: as sementes - sobre estas sim, parecemos não ter controle algum. Bem, voltando à experiência da agricultura urbana que está localizada próxima à praça da V., atualmente é gerida por mulheres da própria comunidade, mães de crianças atendidas pelo Lar Fabiano de Cristo ou não, que estão aprendendo diariamente novas técnicas de cultivo, estão aprendendo a lidar com as pessoas, estão elevando sua auto-estima, estão aprendendo a lidar com dinheiro, estão trabalhando o senso de organização coletiva, enfim...estão se sentindo pessoas com dignidade, que produzem e se alimentam (bem) e alimentam suas/seus filhas/os com aquilo que produzem com suas próprias mãos. Cada vez mais estamos distantes dessa realidade tão simples. As crianças, a não ser através de seus livros escolares, quase não podem supor de onde vêm as frutas tão gostosinhas (mas muito pouco em relação às orgânicas) com nomes e cores tão diferentes, artisticamente empacotadas (com plástico-filme) pelos grandes Super- mercados, bem como de onde vem o milho que é a base para seus cornflakes e das suas deliciosas pipocas de microondas e por aí vai. Tenho recebido e-mails a respeito. Daqueles e-mails que fazem muito alarde da história (e têm que fazer mesmo), mas a questão que me ocorre é: não basta as pessoas se sensibilizarem, é necessário que as pessoas tenham opções, conheçam, enfim, são necessárias mais iniciativas, são necessárias políticas públicas voltadas para estímulo à produção agroecológica, às feiras, à divulgação, enfim... e, só tenho percebido qualquer movimentação nesse sentido, quando agricultoras e agricultores se organizam politicamente em torno da reivindicação por tais políticas públicas, só que, ao que me parece, o interesse é tão nosso quanto delas e deles e, no entanto, parece que vamos seguindo a vida ao som de Zeca Pagodinho: “...deixa a vida me levar, vida leva eu...”... leva eu para os transgênicos, leva eu para os agrotóxicos, leva eu para as vacas loucas, leva eu para a minha alienação total, para a doença, para a cura através dos remédios dos grandes laboratórios que, por sinal, produzem os transgênicos, os agrotóxicos...deixa a vida me levar, vida leva eu....
Votem na enquete tá! Besos!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Nova enquete - Você sabe a procedência de sua alimentação?

Brevemente estarei falando sobre alimentação, agricultura urbana, agroecologia e por aí vai...agora vou para praia porque, afinal, "é água no mar, é maré cheia...".
Bom domingo amigas/os!!!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Ontologia Robótica


A meta-física do projeto
é a metafísica (à beira da morte) do mundo
prestação de serviço ontológico à humanidade
notas fiscais e impostos
calculados sob pena de pena (de quem sofre os descontos)
O projeto deve sair do papel
Por isso há formação de como tornar-se humano
Mas no limite de nossas (des) humanidades
Robôs tornam-se humanos
E humanos vêm tornando-se robôs
Conhecer e viver bem
Essa deveria ser a meta mais que física do projeto
Acima de tudo, nosso projeto de vida


04/05/2007

A doença dos serviços de saúde na nação da purpurina


Basta uma hora em frente ao Hospital das Clínicas para entrar numa depressão. Exagero? Não, não é exagero. Já pararam para perceber, sentir a paisagem com que se deparam cidadãs e cidadãos de todo o Estado ao chegar ao Hospital em que muitos/as de nossos/as médicos/as são formados/as? Sacos de lixo amontoados confundidos com a grama dispersa que cresce ao seu bel prazer, móveis velhos, desgastados, e, pasmem, muitas vezes sujos. O chão de cimento desgastado, esburacado. Paradoxalmente se tornam também paisagem: senhoras, senhores e jovens, homens e mulheres, sentadas/os pelo chão e nas calçadas, com expressão desolada, muitas vezes famintos/as, sem saber em que momento serão atendidos/as (se serão atendidos/as), ou aguardando transporte para voltar para suas cidades, humilhados/as, sozinhos/as, inseguros/as. Que nação é essa, que se orgulha de seu futebol, de seu carnaval, mas se resigna diante da situação precária com que seus cidadãos e cidadãs são tratados/as? Para a resposta, tenho meu palpite. Essa é uma nação que tira a dignidade, e com ela a fala, a voz, a esperança de mulheres e homens pobres e negros/as de se sentirem gente. Uma nação que forma estudantes em medicina na arte de não olhar para seus pacientes, de não enxergá-los, não respeitá-los (salvo as exceções que sempre existem). Uma nação que legitima a cultura dos planos de saúde, que fazem a festa da exploração do bolso na classe média e que nem sempre oferecem qualidade. Uma nação que esconde a boca sem dentes, com as mãos, para pedir informação. Uma nação em que a regra é chegar de madrugada nos hospitais, ficar na fila para ter atendimento e não ter sequer o que comer. Uma nação, cuja exceção é ter saúde. Uma nação doente. Uma nação doente que requer cuidados, tratamento, respeito, sessões de quimioterapia intensivas, macas limpas e bom atendimento desde a recepção até consultórios. Uma nação doente, por favor, não deixem ficar, nem mesmo no período de uma hora em frente aos nossos hospitais públicos, pois podem fazê-la engolir qualquer remédio paliativo e mandá-la de volta ao lugar de onde veio. Podem até curar os sintomas da doença, mas não a doença - descaso político com saúde pública e os milhões investidos em purpurina - e, ainda por cima, a “pátria minha tão pobrinha” pode entrar numa depressão tão profunda, que nem mesmo a euforia do futebol ou a alienação “bundística” do carnaval vão conseguir dar jeito.